|Crítica| 'Moana' (2026) - Dir. Thomas Kail
Crítica por Victor Russo.
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'Moana' / Walt Disney Studios
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De novo, Disney alega suposta maior realidade ao desenvolver live-action como desculpa para fazer a mesma animação com alguns atores
Desde que essa onda de live-action de animações populares tomou conta de Hollywood, impulsionado sobretudo pela Disney, o grande estúdio dos filmes mais pobres artisticamente da atualidade, que tem um gigante arsenal histórico de obras animadas, o argumento para tentar convencer o público para ir ao cinema (como se precisasse de alguma desculpa) era não exatamente a nostalgia, mas “apresentar aquela obra para uma nova geração”. Óbvio que isso sempre foi uma balela, animações dos anos 30 e 40, por exemplo, permaneceram populares com crianças durante cinco décadas ou mais. Nenhuma criança tem problema em assistir animações mais antigas. No final, as crianças são um trunfo, mas o público real interessado são sempre os adultos infantilizados que desejam (ou acreditam que desejam) ver seus personagens em carne e osso ou em uma animação mais realista mesmo.
Só que o caso de Moana bate todos os recordes, superando inclusive Como Treinar o Seu Dragão, visto que é uma animação que completa 10 anos apenas e já tinha em seu estilo traços e tecnologias extremamente semelhantes às animações mais recentes do estúdio. Não há impeditivo para apresentá-la para uma criança, nem mesmo barreira de acesso, já que está facilmente disponível no Disney+, serviço da mesma empresa. E piora ainda mais quando o estúdio lançou uma sequência animada no ano passado. Se a obsessão da Disney por lucro fácil a partir da repetição parecia não ter limites, talvez esse longa seja o vencedor nesse sentido.
Se as músicas foram desenvolvidas por Lin Manuel Miranda, agora é Thomas Kail, responsável por dirigir o musical Hamilton, que consagrou o ator e compositor, quem fica responsável por Moana, por mais que seja difícil falar algo sobre a direção do longa. Qualquer inteligência artificial faria um trabalho semelhante àquilo que é imposto aqui pelos engravatados do estúdio, uma repetição quase plano por plano, sem acabamento e, bizarramente, ainda mais artificial do que a animação. Ou seja, mesmo a desculpa de fazer a animação ganhar vida não faz sentido, a partir do momento que imageticamente nada tem qualquer peso real, nem mesmo os atores, iluminados artificialmente e cercados por fundo verde. Sobra apenas o carisma da dupla principal, sem espaço para fazer muita coisa, é verdade, já que se resumem a simplesmente repetir o que seus personagens animados já faziam.
Assim, a Disney demonstra menos vergonha ainda de chamar o público de trouxa e gastar centenas de milhões em marketing e para dominar as salas de cinema para convencer essas pessoas a ir assistir logo nos primeiros dias. Trata-se de uma espécie de nova animação, que usa atores apenas em algumas cenas como tentativa de vender um live action. Dwayne Johnson e Catherine Laga’aia são então apresentados quase sempre apenas em plano médio ou primeiro plano, enquanto o longa não consegue dar conta de seu espaço, supostamente uma imensidão de oceano que daria esse tom épico à jornada, ao mesmo tempo que também não trata a magia de forma realmente lúdica. É uma tentativa de dar realidade sem se preocupar em parecer real, de, no fim, usar um espectador acostumado a consumir imagens de IA e computação gráfica mal acabadas e interpretar daí alguma possibilidade de mundo. É a morte lenta que o cinema vem enfrentando, quando a imagem é tratada com um desprezo total, perdendo o sentido e mesmo uma função real. Falando em sentido, qual é o ponto real desse filme aqui? Não existe, a não ser encher os bolsos da Disney revendendo o mesmo produto (produto sim, filme isso mal é).


